Compre mudas e sementes de guanandi.
USOS DO GUANANDI - FOLHAS, SEMENTES, ÓLEO
Calophyllum brasiliense Cambess. (Figs. 1, 2), conhecido vulgarmente como guanandi, guarandi ou jacareúba (PEREIRA, GOTTLIEB, MAGALHÃES, 1967; NOLDIN, ISAIAS, CECHINEL-FILHO, 2006), é a espécie do gênero mais abundante na América Latina (MESÍA-VELA et al., 2001). Está presente nas florestas atlântica e amazônica, e em determinados locais do domínio do cerrado, desde a América Central até o litoral norte de Santa Catarina. É muito freqüente em vários ambientes ribeirinhos do sudeste do Brasil e também em outros tipos de ambientes neotropicais, onde o solo é permanentemente ou periodicamente inundado (MARQUES, JOLY, 2000), a exemplo de mangues (FISCHER, SANTOS, 2001). Ocorre geralmente em grandes agrupamentos (LORENZI, 1998), e são susceptíveis a geadas (VIEIRA, FEISTAUER, SILVA,
2003).
As árvores de C. brasiliense medem entre 20 e 30 m de altura, com tronco de 40 a 60 cm de diâmetro. A casca do caule é amarelo-avermelhada, de aproximadamente 2 cm de espessura, dura, fibrosa, de sabor doce e com aroma de mel. As folhas são opostas, simples, coriáceas, pecioladas, e com 10 a 13 cm de comprimento por 5 ou 6 cm de largura. A forma pode ser elípticolanceolada ou oblonga e a nervação é geralmente peninervada, com as nervuras secundárias formando praticamente um ângulo reto com a central. As flores são brancas, pequenas, aromáticas de 2 sépalas e 10 estames, dispostas em racemos axilares e terminais. Os frutos são do tipo drupa globosa e oleaginosa, consumidos por vários animais (CORRÊA, 1984; LORENZI, 1998).
A produção de mudas é feita a partir dos frutos quando caem espontaneamente da árvore, semeados mesmo sem a despolpação para a obtenção da semente, ocorrendo a emergência em 40 a 60 dias (LORENZI, 1998). A germinação ocorre após 4 semanas, sendo que os frutos sem o endocarpo germinam em 2 semanas (ZENTSCH, DIAZ, 1977). Estudos de reflorestamento demonstram uma importante capacidade de desenvolvimento da espécie em áreas degradadas (LOIK, HOLL, 1999; PIOTTO et al., 2003; CUSACK, MONTAGNINI, 2004).
A árvore é ornamental e pode ser aplicada no paisagismo (LORENZI, 1998). O tronco é forte e durável, com utilidade na indústria moveleira e na construção civil e naval (METCALFE, CHALK, 1950), sendo as cascas empregadas na calafetagem de pequenas embarcações. No Brasil, durante o período do Império, o guanandi foi considerado madeira de lei (CORRÊA,1984).
Compre mudas e sementes de guanandi.
Aspectos químicos
A análise fitoquímica qualitativa de C. brasiliense revela a presença de flavonas, flavonóis, triterpenóides, esteróides e xantonas, e a ausência de alcalóides, quinonas e saponinas (SARTORI et al., 1999).
Dentre os compostos químicos isolados da espécie, constantes na Tabela 1, destacam-se as xantonas brasixantona A [1], guanandina [2],8 jacareubina [3] e 6-desoxijacareubina [4], e as cumarinas denominadas de calanolídeos A [5], B [6] e C [7], soulatrolídeo [8] e mammea A/BA [9] (PEREIRA, GOTTLIEB, MAGALHÃES, 1966; 1967; GLASBY, 1991; SARTORI et al., 1999; MESÍA-VELA et al., 2001; SILVA et al., 2001; ITO et al., 2002; 2003; COTTIGLIA et al., 2004; HUERTA-REYES et al., 2004b; ISAIAS et al., 2004; PRETTO et al., 2004; REYES-CHILPA et al., 2004; 2006; KIMURA et al., 2005; NOLDIN, ISAIAS, CECHINEL-FILHO, 2006).
Compre mudas e sementes de guanandi.
Aspectos farmacológicos
Estudos etnofarmacológicos revelam o uso da espécie no tratamento de dores, inflamações, diabetes, hipertensão, herpes, reumatismo e distúrbios do trato gastrointestinal (REYES-CHILPA et al., 2006). O exsudato obtido do tronco é empregado na medicina popular como anti-reumático, em tumores e contra úlceras crônicas, mas por ser fortemente irritante e produzir manchas escuras na pele, possui maior aplicação na medicina veterinária (SCHVARTSMAN, 1979; CORRÊA, 1984; RIZZINI, MORS, 1995).
O extrato de C. brasiliense é efetivo contra o vírus HIV-1 (HUERTAREYES et al., 2004a). Piranocumarinas (soulatrolídeo e calanolídeos A e B) isoladas do extrato hexânico, apresentam alta atividade inibitória contra o mesmo vírus e Propriedades citotóxicas. O calanolídeo C possui capacidade inibitória moderada sobre o HIV-1 (HUERTA-REYES et al., 2004b). De acordo com KUSTER e ROCHA (2000), os calanolídeos A e B impedem a replicação do HIV-1 in vitro, provavelmente por inibição da atividade enzimática da DNApolimerase dependente de DNA e da DNA-polimerase dependente de RNA presentes no vírus.
Alguns constituintes identificados das folhas de C. brasiliense possuem atividade contra o parasita Trypanosoma cruzi, agente etiológico da doença de Chagas (ABE et al., 2004). O extrato bruto de ramos da espécie impede o crescimento de moluscos (GASPAROTTO-JÚNIOR et al., 2005a).
Os compostos, ácido brasiliênsico, ácido gálico, epicatequina, ácido protocatéquico, friedelina e 1,5-diidroxixantona, isolados de extratos de vários órgãos de C. brasiliense apresentam atividade antibacteriana (PRETTO et al., 2004).
YASUNAKA et al. (2005) demonstram atividade do extrato dessa espécie frente aos microorganismos Staphylococcus aureus e Escherichia coli. Alguns ácidos cromanônicos isolados de casca de caule possuem atividade contra Bacillus cereus e Staphylococcus epidermidis (COTTIGLIA et al., 2004). O extrato de casca de caule da espécie e a xantona jacareubina, isolada da mesma, são efetivos contra o crescimento do fungo Postia placenta (REYES-CHILPA, JIMENEZ-ESTRADA, ESTRADA-MUÑIZ, 1997).
A fração diclorometano tem efeito gastroprotetor em razão da ação antisecretora, antiúlcera e citoprotetora (SARTORI et al., 1999). REYES-CHILPA etal. (2006) demonstram a ação inibitória de algumas xantonas [6-desoxijacareubina, jacareubina, 1,3,5,6-tetraidroxi-2-(3-hidroxi-3-metilbutil)-xantona, 1-hidroxi-3,5,6-tri-O-acetil-2-(3,3-dimetilalil)-xantona] e cumarinas [mammea A/BA e mammea C/AO] isoladas de C. brasiliense sobre a liberação
de ácido estomacal. Estudos revelam a atividade antiespasmódica das espécies C. brasiliense e Cynara scolymus L. (alcachofra), por inibição da contração induzida pela acetilcolina em íleo de cobaias e duodeno de ratos (EMENDORFER et al., 2005).
Algumas cumarinas isoladas de C. brasiliense são consideradas potentes inibidores in vitro de sulfotransferases, enzimas envolvidas no metabolismo de compostos endógenos como esteróides (MESÍA-VELA et al., 2001).
Frações de extrato da espécie e alguns compostos isolados demonstram significativo efeito antinociceptivo (SILVA et al., 2001; ISAIAS et al., 2004).
Algumas brasixantonas identificadas do extrato de caule possuem significativa atividade antineoplásica (ITO et al., 2003).
Compre mudas e sementes de guanandi.